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sábado, julho 10, 2004

Minhas, as suas palavras. 

A NATUREZA HUMANA: Que tipo de pessoa chora quando está a condecorar jogadores de futebol mas não verte uma única lágrima quando condena dez milhões de almas a serem governadas por Santana Lopes?
Ricardo Araújo Pereira in Gato Fedorento
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quinta-feira, julho 08, 2004

A minha vida dava um disco(I) 


Dummy - Portishead

Quando todos esperavam ver a encabeçar os discos da minha vida um registo qualquer dos The Smiths ou Morrissey, eu troco-vos as voltas e apresento aquele que é sem dúvida o primeiro da lista: Dummy dos Portishead.
Estávamos em 1994 e a melhor rádio que alguma vez existiu em Portugal, Xfm, brindava-nos diariamente com o que de melhor se fazia em termos musicais pelo mundo. Era uma rádio que não se deixava cair em play-lists preferindo dar novas sonoridades ao Portugal de então.
Pure good taste, dears.
A minha geração descobriu, à custa da X ( como era e é carinhosamente conhecida) vários nomes que se tornaram fenómenos de culto ( em maior e menor escala, claro está): Tindersticks, Tarnation, Walkabouts, Urban Species, Tricky and so on and so on. Tinha como mote a frase "Para uma imensa minoria",mas como a imensa não chegou calaram-na em 1997. Gentinha estúpida.
De volta a 1994.
Naquele ano eu já trabalhava e no meu gabinete o único rádio sintonizava-se sempre em 105.8. Naquele dia não houve excepção e sem aviso prévio começo a ouvir algo que me começou a petrificar o corpo e a humedecer os olhos. Nunca tinha ouvido nada igual. Era uma voz ao mesmo tempo doce e acre, suave e àspera, cristalina e rouca. Terminado o tema, a locutora dá a boa nova ao mundo, ao meu mundo: Sour Times dos Portishead.
Foi amor à primeira audição.
Imediatamente tentei ver se encontrava na Valentim de Carvalho, mas nada. Não me recordo quanto tempo ainda tive que esperar. Lembro-me que uma amiga comprou o dela em Paris e era o dela que ouvíamos ad infintum. Aqui nas lojas nem sinal dele e eu desesperava, tinha que ter aquele disco.
Esse dia chegou e o amor foi crescendo faixa a faixa. Tocava incessantemente no meu leitor de CD's e acreditem que ainda hoje é dos poucos que ouço com paixão do princípio ao fim como se fosse a primeira vez, ou a segunda ( a primeira vez raramente é boa, a segunda é que é óptima).
Adoro a voz da Beth Gibbons. Sou viciado. Adoro a forma como neste disco se desconstrói para voltar a construir. Adoro a voz quase sussurada no micro ( perfeitamente visível ao vivo). Adoro os samples, amo as harmonias, vibro com o bom gosto. Naquela época, os Portishead, a par com os Massive Attack e Tricky, trouxeram de Bristol uma nova sonoridade que durante bastante tempo foi conhecido como Trip-hop. Confesso que as catalogações dão-me um bocado seca, porque em geral nem os próprios interessados as querem para nada, a meu ver só vêm dificultar e criar teóricos chatos de música. Não há nada pior para a música do que um teórico, chato como a potassa.
Para mim, Dummy abriu novos horizontes de música bem feita, bem interpretada e encenada. Amo este disco e tenho milhares de razões para continuar apaixonado: o pedro, a fati, o rui, o pi, a zambujeira do mar, a xfm, o nuno, o aniki, a tarde, a noite, a madrugada, o meu quarto de casa dos meus pais, a minha sala, o meu cd, os meus vinis, os arrepios, as lágrimas, os sorrisos e tantas outras coisas boas que este disco viveu comigo.
Em Dummy mistura-se o meu passado, o meu presente e, espero, o meu futuro.


Dummy*****
(GoBeat, 1994)

* Mysterons
* Sour Times
* Strangers
* It could be sweet
* Wandering Star
* It's a fire
* Numb
* Roads
* Pedestal
* Biscuit
* Glory Box
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A minha vida dava um disco. 

Começo hoje aqui, sem periodicidade certa, um conjunto de posts sobre os discos que mudaram a minha vida. A ver pela quantidade de paixões que tenho espera-se muita prosa.Tenham paciência.

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segunda-feira, julho 05, 2004

Ganhámos todos! 


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Fast Film, Virgil Widrich, 2003. 

Ontem vi, no programa Onda Curta da 2:, uma curta-metragem de Virgil Widrich chamada Fast Film. O mínimo que eu posso dizer é que é uma obra-prima [ eu sou assim de paixões fortes e o mínimo é logo o máximo :)].



"About Fast Film

Austria/Luxembourg 2003, 14 min.
35 mm, color, 1:1,66, Dolby Digital

"Fast Film" is an animated homage to motion pictures, hand-made by folding 65,000 print outs of film frames into three dimensional objects.

A woman is abducted and a man comes to her rescue, but during their escape they find themselves in the enemy’s secret headquarters. This classic plot conceals an hommage to action movies. In 14 minutes, Fast Film (a play on words, English fast and German fast, meaning “almost”) provides a tour de force through film history, from its silent beginnings to present-day Hollywood. The filmmakers printed out some 65,000 individual images from 300 films, folded them into paper objects, arranged them in complex tableaux, and then brought them to life with an animation camera in a two-year production process. "

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Obrigado!! 


Durante várias semanas, a nossa Selecção trouxe de volta as cores da bandeira, o orgulho nacional e a alegria. Das três, acredito que só a última vai faltar na ressaca.
Graças a um grupo de atletas que nos fizeram ter fé, muita fé, o resto vai ficar para sempre. Viva Portugal! Obrigado, Selecção.
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domingo, julho 04, 2004

1919-2004 


 

Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impureza,

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo apaixonadamente

Encontra a própria liberdade.



Sophia de Mello Breyner Andresen

 
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1924-2004 


Marlon Brandon
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