<$BlogRSDURL$>

quinta-feira, janeiro 08, 2004

La chorona 

Ontem li, no jornal diário “24 Horas”, uma notícia que me deixou enternecido. Na última página, acompanhado de uma fotografia do nosso primeiro-ministro Durão, esposa Margarida e velhinha amiga, vinha um texto que relatava a emoção de Margarida Sousa Uva ao receber, em São Bento, o Grupo Recreativo e Cultural de Travanca.
A felicidade foi tanta que Margarida, ao reconhecer velhos amigos da infância na Travanca, não conseguiu travar as lágrimas e chorou em vez de discursar. O título era muito sugestivo, “Chorona”, chamava-lhe o diário. Já tinhamos a famosa uva mijona, agora também temos a Uva chorona.

|

quarta-feira, janeiro 07, 2004

A chave!!!O dinheiro!!!!A chave!!! 

Se eu fosse ex-autarca, tivesse algum dinheiro e falasse a língua de Camões como ninguém neste país, ia ter muita dificuldade em escolher entre pagar 6 mil euros ou passar 133 dias na prisão. É muito difícil esta escolha. Peço ajuda telefónica. Para quem quero ligar? Para o Largo do Rato, por favor.
|

terça-feira, janeiro 06, 2004

Saudade II 

Eu sou mesmo saudosista. Há imensa coisa que, fazendo parte do meu passado, me deixou uma saudade louca. Algumas coisas de comer, outras de ver. Hoje tive saudades dos Kalkitos.
Para quem não sabe o que foram, é difícil nos dias de hoje arranjar comparativo. Assim de repente e arriscando só atingir uma pequena franja do meu auditório – arquitectos, engenheiros e publicitários muito antigos- apenas me vem à cabeça a marca Mecanorma; letras, símbolos e figuras que com a ajuda de alguma pressão se decalcam numa folha de papel. Mais ou menos assim.
Ora, os Kalkitos eram isso mesmo. Coisas que se decalcavam numas folhas de papel impresso. Se a memória não me trai existiam em dois tamanhos, um grande e outro mais pequeno. Estas folhas vinham fechadas em três numa bolsa de plástico e quando se abriam revelavam um desenho de uma aldeia romana, ou de um acampamento de índios, ou de um porta-aviões da Segunda Grande Guerra, os Flinstones e outras situações. Junto vinha um plástico transparente repleta de bonequinhos, objectos e quejandos cuja missão única era serem decalcados no desenho original. A nosso gosto e belo prazer. Aposto que nunca existiram dois kalkitos iguais. A mim, por exemplo, acontecia-me frequentemente decalcar um soldado romano na aldeia e deixar o braço no plástico. Depois era um ver se acertas outra vez no boneco para não se notar a amputação.
Eu era viciado. Fiz vários kalkitos, repeti temas e mutilei muitas figuras. Decalcar bem tinha os seus segredos. A certeza que já estava tudo decalcado na folha debaixo era muito importante, levantar o plástico antecipadamente era um erro fatal e muito enervante. Kero os meus Kalkitos de volta, já!

|

Six feet under. Ámen. 

O dia que eu sempe odiei mais do que todos os outros, excepção feita ao domingo-à-noite-imediatamente-antes-de-dormir, era a segunda-feira. Que dia chato, muito chato. Primeiro porque já nos separa do fim-de-semana passado, depois porque nos afasta ainda muito do próximo.Uma verdadeira chatice.
Felizmente, houve um dia em que isto mudou ligeiramente. Não falo da totalidade do dia porque só comecei a gostar mais de uma hora em particular, apenas sessenta minutos. E nem era de dia, era já noite cerrada.
À segunda-feira, das 22 às 23 horas, não atendia o telemóvel, não abria a porta, não falava com ninguém e não aceitava visitas de amigos que não comungassem deste meu novo ritual. Era eu e a televisão, era eu e a melhor série do mundo que se chama Six Feet Under. Éramos todos muito felizes na solidão do meu sofá. Eu e os Fisher, a família que vive de e para uma funerária. Todas as segundas, a morte era sempre um novo começo para eles e para mim. Isto foi mais ou menos há dois anos atrás, com intervalo e ressaca de um ano.
Ontem tudo voltou a ser melhor durante uma hora e a morte dá outra vez vida na minha sala.


|

segunda-feira, janeiro 05, 2004

Guns? 

Não me consigo mentalizar. Eu confiava muito na Vodafone, muito mesmo. Até que outro dia, tudo desabou. De empresa muito credível passou a operadora mentirosa. Quem pode acreditar na veracidade das palavras: "Tu escolheste e os Guns n' Roses vêm ao Rock in Rio". Quem? Os Guns? Vêm? Vivos? Eu escolhi?? Pois é, ninguém deve ter escolhido porque ninguém se lembra deles. Agora, estou com receio. Receio não, medo. Pavor de ligar a televisão e ouvir: Tu escolheste e o Quarteto 1111 vem ao Rock in Rio!
|

This page is powered by Blogger. Isn't yours?