segunda-feira, maio 17, 2004
Padre moderno. Importam-se de repetir?
Sábado o acordar foi difícil, muito cedo para quem se tinha deitado tarde. Tinha uma missão muito importante: ia participar no baptizado da filha do meu melhor amigo Filipe, na verdade somos quase irmãos, e era o padrinho.
A igreja de São João da Foz tinha sido escolhida porque segundo os pais da Francisca, era assistida por um padre muito moderno e que não levantava problemas ao facto de eles não serem casados e nem à inusitada presença de dois padrinhos em vez de um típico casal. Eu claro, achava tudo isto muito positivo.
Quando finalmente chegam todos os convidados, apercebo-me que afinal se juntavam duas madrinhas. Eramos agora quatro padrinhos.
Estranho, pensei eu. Perguntei a razão e foi-me dito que afinal o padre queria que fosse um casal a abençoar a criança. Comprometidos que já estavam com os dois padrinhos ( eu não conhecia o outro), lá contrataram duas madrinhas para remediar. Eu enchanté, eram as duas lindas e por sinal minhas amigas.
Durante a cerimónia, o padre - cujo o nome não me recordo mas de quem me tinham sido dadas referências da sua postura quase revolucionária e pouco dentro dos cânones habituais da Igreja- começou a levantar um pouco o véu da sua "revolucionária" visão do mundo.
Eu como ateu achava tudo bem, aliás estava ali pela parte simbólica e não pela parte religiosa. O que me interessava era o vínculo que já existia entre mim e a Francisca, um bebé lindo.
Dizia eu, o tal padre começou a falar e eis que diz não compreender nem aceitar "isso dos católicos não praticantes".
Hummmm...it's getting hot, pensei eu.
Este "não compreendo e nem aceito" logo evoluiu para uma parte muito mais importante e que revela que as modernices no seio da Igreja ou são boato ou circunscritas a Vilar de Perdizes.
Segundo o padre, "católico não praticante não faz sentido como não o faz mulher não praticante do feminino, nem homem não praticante do masculino. Uma mulher deve praticar o feminino e um homem deve praticar o masculino". Eu esperava o clímax, tal como numa tragédia grega, e ele chegou lá rapidamente e numa conclusão brilhante alertando os presentes " para uma série de aberrações que andam por aí" que não praticam o que deveriam praticar.
Eu olhando para a triste figura do senhor, anuí. Eles andam aí, vestem debranco e só conhecem um livro a que chamam Bíblia.
Para esse senhor o meu mais profundo desdém. Eu já não ia à igreja e sabia porquê. No sábado tive a confirmação pela boca de um padre tido como um caso raro ou ,usando as suas próprias palavras, "uma aberração"
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A igreja de São João da Foz tinha sido escolhida porque segundo os pais da Francisca, era assistida por um padre muito moderno e que não levantava problemas ao facto de eles não serem casados e nem à inusitada presença de dois padrinhos em vez de um típico casal. Eu claro, achava tudo isto muito positivo.
Quando finalmente chegam todos os convidados, apercebo-me que afinal se juntavam duas madrinhas. Eramos agora quatro padrinhos.
Estranho, pensei eu. Perguntei a razão e foi-me dito que afinal o padre queria que fosse um casal a abençoar a criança. Comprometidos que já estavam com os dois padrinhos ( eu não conhecia o outro), lá contrataram duas madrinhas para remediar. Eu enchanté, eram as duas lindas e por sinal minhas amigas.
Durante a cerimónia, o padre - cujo o nome não me recordo mas de quem me tinham sido dadas referências da sua postura quase revolucionária e pouco dentro dos cânones habituais da Igreja- começou a levantar um pouco o véu da sua "revolucionária" visão do mundo.
Eu como ateu achava tudo bem, aliás estava ali pela parte simbólica e não pela parte religiosa. O que me interessava era o vínculo que já existia entre mim e a Francisca, um bebé lindo.
Dizia eu, o tal padre começou a falar e eis que diz não compreender nem aceitar "isso dos católicos não praticantes".
Hummmm...it's getting hot, pensei eu.
Este "não compreendo e nem aceito" logo evoluiu para uma parte muito mais importante e que revela que as modernices no seio da Igreja ou são boato ou circunscritas a Vilar de Perdizes.
Segundo o padre, "católico não praticante não faz sentido como não o faz mulher não praticante do feminino, nem homem não praticante do masculino. Uma mulher deve praticar o feminino e um homem deve praticar o masculino". Eu esperava o clímax, tal como numa tragédia grega, e ele chegou lá rapidamente e numa conclusão brilhante alertando os presentes " para uma série de aberrações que andam por aí" que não praticam o que deveriam praticar.
Eu olhando para a triste figura do senhor, anuí. Eles andam aí, vestem debranco e só conhecem um livro a que chamam Bíblia.
Para esse senhor o meu mais profundo desdém. Eu já não ia à igreja e sabia porquê. No sábado tive a confirmação pela boca de um padre tido como um caso raro ou ,usando as suas próprias palavras, "uma aberração"
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