terça-feira, janeiro 06, 2004
Saudade II
Eu sou mesmo saudosista. Há imensa coisa que, fazendo parte do meu passado, me deixou uma saudade louca. Algumas coisas de comer, outras de ver. Hoje tive saudades dos Kalkitos.
Para quem não sabe o que foram, é difícil nos dias de hoje arranjar comparativo. Assim de repente e arriscando só atingir uma pequena franja do meu auditório – arquitectos, engenheiros e publicitários muito antigos- apenas me vem à cabeça a marca Mecanorma; letras, símbolos e figuras que com a ajuda de alguma pressão se decalcam numa folha de papel. Mais ou menos assim.
Ora, os Kalkitos eram isso mesmo. Coisas que se decalcavam numas folhas de papel impresso. Se a memória não me trai existiam em dois tamanhos, um grande e outro mais pequeno. Estas folhas vinham fechadas em três numa bolsa de plástico e quando se abriam revelavam um desenho de uma aldeia romana, ou de um acampamento de índios, ou de um porta-aviões da Segunda Grande Guerra, os Flinstones e outras situações. Junto vinha um plástico transparente repleta de bonequinhos, objectos e quejandos cuja missão única era serem decalcados no desenho original. A nosso gosto e belo prazer. Aposto que nunca existiram dois kalkitos iguais. A mim, por exemplo, acontecia-me frequentemente decalcar um soldado romano na aldeia e deixar o braço no plástico. Depois era um ver se acertas outra vez no boneco para não se notar a amputação.
Eu era viciado. Fiz vários kalkitos, repeti temas e mutilei muitas figuras. Decalcar bem tinha os seus segredos. A certeza que já estava tudo decalcado na folha debaixo era muito importante, levantar o plástico antecipadamente era um erro fatal e muito enervante. Kero os meus Kalkitos de volta, já!
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Para quem não sabe o que foram, é difícil nos dias de hoje arranjar comparativo. Assim de repente e arriscando só atingir uma pequena franja do meu auditório – arquitectos, engenheiros e publicitários muito antigos- apenas me vem à cabeça a marca Mecanorma; letras, símbolos e figuras que com a ajuda de alguma pressão se decalcam numa folha de papel. Mais ou menos assim.
Ora, os Kalkitos eram isso mesmo. Coisas que se decalcavam numas folhas de papel impresso. Se a memória não me trai existiam em dois tamanhos, um grande e outro mais pequeno. Estas folhas vinham fechadas em três numa bolsa de plástico e quando se abriam revelavam um desenho de uma aldeia romana, ou de um acampamento de índios, ou de um porta-aviões da Segunda Grande Guerra, os Flinstones e outras situações. Junto vinha um plástico transparente repleta de bonequinhos, objectos e quejandos cuja missão única era serem decalcados no desenho original. A nosso gosto e belo prazer. Aposto que nunca existiram dois kalkitos iguais. A mim, por exemplo, acontecia-me frequentemente decalcar um soldado romano na aldeia e deixar o braço no plástico. Depois era um ver se acertas outra vez no boneco para não se notar a amputação.
Eu era viciado. Fiz vários kalkitos, repeti temas e mutilei muitas figuras. Decalcar bem tinha os seus segredos. A certeza que já estava tudo decalcado na folha debaixo era muito importante, levantar o plástico antecipadamente era um erro fatal e muito enervante. Kero os meus Kalkitos de volta, já!
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