<$BlogRSDURL$>

sexta-feira, dezembro 05, 2003

Prosa I 

Sempre que se cruzavam, entre a sala e o quarto, nada se ouvia. De um lado o corpo. Do outro a alma. Um vinha do quarto. A outra da sala. Era sempre assim. Cada noite igual à anterior. Toda a semana. Todas as semanas. Quando o sexo entrava pela porta da frente - ou como algumas vezes pelas traseiras - o corpo nu dirigia-se ansioso para a cama, onde outro corpo o esperava. Nesses momentos, alma deixava-se ficar entre dois braços de um sofá, inerte e melancólica. Todas as noites, toda a semana, ouvia o mesmo disco e ficava à espera que o corpo acabasse a sua missão. Quando tal acontecia, a alma levantava-se e dirigia-se para o corpo. Esta reconciliação dava-se no corredor, entre o quarto e a sala. Toda a semana. Todas as semanas e todas as noites. Enquanto o corpo descarregava noutro corpo, a alma generosa carregava-se de pensamentos de outra alma. Todas as noites, era esta a única maneira de tornar suportável aquela vida já muito próxima da morte. Quando os torniquetes da vida nos tornam hostis, a alma deixa o corpo agir. Fecha os olhos e foge. Todas as noites. Toda a semana. Todas as semanas.



|

Agora escolha. 

Ontem comprei a segunda série do Espaço 1999. Andava mortinho que ela saísse, é nesta série que aparece a transformista mais famosa dos anos 70: a MAYA. Aqui os leitores mais novos vão pensar que vou falar de tarologia, outros lembram-se da abelha que era sodomizada pelo pato-preto-infeliz que dava pelo nome de Calimero. Amiguinhos e amiguinhas, Maya era uma rapariga com sobrancelhas de lã às trancinhas coladas no lugar das normais, vinha do planeta Psychon e, por motivos que não interessa agora explicar, foi parar à Base Lunar Alpha. Lição aprendida? Muito bem, sigamos agora para o que interessa.
Ao ver o primeiro episódio da série, lembrei-me de uma coisa que tenho vindo a constatar: as duas gerações televisivas que coabitam na minha vida.
Uma,sou eu e o grupo de amigos da minha idade que viram as séries como Espaço 1999, Os pequenos vagabundos, Battlestar Galactica, A Ilha da fantasia, Conan- o rapaz do futuro e outros tantos momentos de boa televisão no momento em que elas foram transmitidas.
A outra, sou eu e os meus amigos-quase-dez-anos-mais-novos ( Blurgh!!!!) e a cuja geração eu dei o nome de Agora Escolha Generation. Em geral, têm a mania de dizer "eu lembro-me do anão da ilha da fantasia", "sim eu sei que a Sue Ellen era alérgica a sumos naturais e preferia whiskie" ou "eu vi o Espaço 1999". Viram, claro que viram, mas se os meus cálculos de matemática não me falham uma pessoa que nasceu depois de 1980 não pode ter visto uma série que deu em 1977. Ou será que pode? Pode, se nasceu a tempo de ver o Agora Escolha e escolher.
Estes meus amigos e amigas viram essas belas séries no fim da Candy Candy e quando os votos dos telespectadores escolhiam o grupo certo. Para quem se lembra, o Agora Escolha era apresentado pela Vera Roquette, sempre deslumbrantemente loira, que nos tratava por "amiguinhos" e sugeria duas opções de visionamento. Por exemplo, no grupo A, podíamos escolher o compacto vida animal e, no grupo B, o Barco do Amor. Depois vinham uns desenhos animados para entreter e no canto superior esquerdo apareciam as votações em tempo real. Era aqui que sabíamos sempre que o compacto "Profissões do Passado" do Totobola ía à frente do Buck Rogers. Toca a ligar. Merda, ganhou o compacto Totobola.
Eram assim as tardes animadas de quem só tinha dois canais. Não havia grande escolha.
Daqui por uns anos, para juntar a estas gerações vamos ter mais duas: a geração Sic Gold e a geração Sic Radical. Venham elas.

|

quinta-feira, dezembro 04, 2003

A partir de ontem? Importa-se de repetir? 

Cada vez se fala pior na televisão portuguesa. Se calhar também se fala mal na checa ou na neozelandesa, mas como eu não sei nenhuma das línguas é indiferente.
Outro dia, passeava eu pelos vários canais e decido assentar arraiais na Sic Notícias. O programa juro que não sei o nome, apenas sei que é apresentado por...ermmm...pela...ermm...loira... acho que se chama Sofia, mas não Alves. Vidrado no écran assisti a 10 minutos de programa. O tempo necessário para que terminasse.
Creio que era um magazine tutti--frutti que tanto fala do lançamento do livro de contos infantis de uma desconhecida como das cuecas fio dental do Um-Whiskie-Com-àgua-Castelo-Branco. Se a memória não me falha tem nome de revista que saía às quartas ( com um jingle dos piores que há memória- Caras sai às quartas, entra nessa e faz a festa... eh eh eh) e agora sai noutro dia qualquer. Aquilo lá ia passando e eu nada fazia para impedir o sofrimento. Assumo que sou um bocadinho masoquista no que se refere a televisão, consigo ficar horas a ver lixo e adoro chegar às 6 da manhã e ensopar o álcool em torradas enquanto vejo o Tv Shop. Menu completo.
Onde ia eu? Ah! No Caras em movimento. A menina ou senhora apresentadora aparecia no final das reportagens, debitava um pequeno texto sobre o assunto anterior e apresentava o novo. A propósito de apresentações, que saudades tenho das tardes em que o Raul Durão introduzia as peças dos seus programas com um inchado: "Vamos assistir a mais um apontamento de reportagem." Que saudades, Raul.
Voltando ao magazine Faces in motion, e ao tema que me trouxe até vós, a senhora apresentadora, falando do novo cd da Kylie La Minogue "Body Language", diz: Um cd que está à venda a partir de ontem!
A partir de ontem????Por amor de Cristo, alguém aí fora mostra um cartaz a essa senhora com a palavra DESDE! Obrigado!
|

Serão os vegetarianos atacados pelo míldio? 

Ontem deitei a minha cabeça na almofada, senti a lasanha de legumes a revirar no meu estômago e pensei: será que podemos apanhar as doenças das plantas se as comermos?
Horror, pânico, imagens reais saltaram-me ao pensamento. Pessoas com fungose, velhinhas a sofrer de filoxera, crianças com crises de oídio e homens e mulheres atacados pelo míldio. Sei que pode parecer tudo um exagero, mas a verdade é que podemos apanhar BSE ( falo da doença e não do vinho de mesa) por comer partes das vacas, desculpem, senhoras vacas. Ao comer uma cabra podemos apanhar Brucelose, que ao contrário do que o nome indica não é o vício em filmes do Bruce Lee. Uma galinha tenrinha pode dar uma descarga de nitrofuranos. And so on, and so on. O somatório destas e de outras evidentes maleitas era um aviso para trocarmos o animal pelo vegetal. Ok, disseram uns. Não sei, gritaram outros. Eu por mim estava quase convencido. Onde outrora pendurei belos presuntos Pata Negra, viam-se agora tranças de cebola e cachos com alhos, lindos e cheirosos. O frigorífico que dantes albergava nacos de carne tenra, dava agora guarida aos nabos. Enchi a despensa de lentilhas, feijões, grão e soja. O futuro parecia sorrir-me em tons de clorofila. Até ontem! Estou a repensar a minha decisão. Sei lá se ao virar vegan, não apanho míldio na parra!!!Sei lá, bate aí na madeira!!!
|

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Medem leve, levemente como quem duvida de mim!! 

Fui ver era a fita métrica! Nunca em toda aminha vida tinha percebido o quão essencial era uma fita métrica! Acreditem no que vos diz a voz e o ouvido da experiência.
Só em oito dias ouvi e falei mais deste objecto do que em toda a minha vida. Senti-me como Arcebispo de Braga quando descobriu como se escalfavam ovos no Império dos Sentidos: curioso, muito curioso. E como sou curioso, resolvi comprar uma fita métrica.
Achei que para começar poderia escolher uma qualquer retrosaria. Quando se é iniciante nas artes de bem medir, deve-se optar por utensílios não muito complicados, com muitas funçoes ou botões. Simples é bom e faz bonito na mesma! O que importa é que a fita faça bem o que tem a fazer. Pés à estrada ( é mais uma ruela, mas fica melhor algo maior) e lá fui eu em direcção à lojinha que vende tudo.
Comprei a minha primeira fita métrica e estou visivelmente contente com isso. É azulinha, tem números de um lado e doutro e pontinhas de metal. Ainda não usei, mas estou muito ansioso. A minha amiga também. Quanto será que me dará a medição?
|

O telefone voltou a tocar. 

Que susto! A minha amiga voltou a entrar em contacto comigo tal e qual entidade divina. Trimm!! Trimm!! Em toque polifónico! Que arrepio!
Estava mesmo absorto a ler a entrevista que Hugh Grant deu à CARAS ( o que foi?!?! Não posso ler a CARAS no dia em que ela sai? Tenho que esperar pela consulta ao dentista no mês que vem, é?) diz ele que a fama é como comer chocolate. É um prazer momentâneo." Meu deus quanta verdade em duas frases, quanta sapiência, quanta quanta!!!
A minha amiga começa por me dizer: estou agoniada com isto do tamanho! Comi dois chocolates!
Pimba! ( onomatopeia e não o género musical, ok?) Caiu-me tudo! Ela é bruxa ou anda a dormir com Hugh Grant. Hummmm!!! Quem será ele? O dos 12 cms ou o dos 18? Ela desligou! Não tive tempo de perguntar. Tenho medo da resposta, mas mal saiba,publico.
|

A minha amiga telefonou! 

A minha amiga, a rapariga que não sabe se come de uma vez só o mini milk ou se vai saboreando aos pouquinhos o magnum, telefonou. Está visivelmente incomodada. Anda doida com isto dos tamanhos e diz que já não pode ouvir falar em centímetros, polegadas e quejandos. Ontem, no supermercado com nome do seu tamanho preferido, fez merda da grossa. Atacou a zona do material escolar e desatou a partir tudo o que era régua, esquadro, escantilhão e outros objectos cuja missão principal em Terra seja medir. Mania da perseguição ou mania das grandezas?
|

Vamos lá afastar esses corpos. 

Estou perdido! Estava eu sossegadinho na casa-de-banho lendo mais um exemplar dessa bíblia do fotoejornalismo chamado CARAS, quando de repente sou assaltado por um mal estar que começou nos dedos dos pés, percorreu as pernas, fez giroflé flé flá nos tintins e subiu, tipo bola metalizada de flippers, até à testa mesmo no meio dos olhos. Não acreditava no que os meus olhos viam ou liam ou vice-versa: "O divórcio não é mais do que uma separação dos corpos". E quem o diz é a mãe do ministro da defesa, H.S. Cabral. E eu, que de química não percebo nada, fiquei baralhado, limpei-me e sai do cubículo. Há muito tempo que não me sabia tão bem divorciar-me. Estou aliviado!!!
|

INE que importa mesmo!!! 

Notícia de última hora: o tamanho importa mesmo.
Acabo de receber um telefonema do INE ( sim, poderia ter sido um e-mail, mas o pessoal administrativo prefere o bom e o antigo!!!), a senhora - pela voz era quarentona, e pelo timbre diria que era solteira- avisou-me que o tamanho é das coisa mais importantes na vida dos seres humanos. Segundo ela, citando um estudo recente à população portuguesa, as mulheres preferem com tamanho do que com tamanho nenhum. Confusos? Eu também fiquei. Findo o choque do primeiro impacto com este facto, vim a mim com a certeza de que o tamanho tem uma importância vital; o que interessa é que esteja lá qualquer coisa, que mexa, que faça vai-e-vem, que faça cri-cri, schlept, schelpt. O resto é conversa, mais ou menos curta, mas conversa.
|

1,2,3... digam lá outra vez! 

Bem-vindos ao mundo dos grandes e dos pequeninos!
Semana passada, uma amiga alertou-me para um problema que detectou na palma da mão. Não, ela não lê a sina. A sina dela é que lhe põs na mão menos do que ela queria: 12 cms.
Para muitos seria uma fartura, para outros a fome. E todos sabemos que não há fome que não dê em fartura. Que tal 18 cm roliços?
Este blog vai ensinar receitas culinárias com três ingredientes, como dar nós em gravatas, dicas sobre música para levá-las ao tecto, técnicas sádicas de sedução, truques para desmontar a varinha mágica sem sujar as paredes da cozinha e um curso intensivo de como arrumar Tupperwares nos armários sem ser atacado por eles mais tarde. Tudo isto pontuado aqui e ali por assuntos mesmo interessantes: sexo, tamanho e sexo!
|

This page is powered by Blogger. Isn't yours?